José Castro Caldas

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    Arquitectura

    No regresso a Portugal procurei um espaço onde pudesse ser a minha casa e tambem uma oficina. Onde desse para continuar a explorar soluções de construção, nesse intervalo entre Arquitectura – Marcenaria. Esse espaço e a sua transformação seriam logo o primeiro desafio.
    Procurei, portanto, um espaço pouco definido a precisar de ser ocupado. De vários que procurei, encontrei este estúdio de 40 m2. Perfeito… Estava em excelentes condições, numa zona que muito aprecio, com luz etc…
    Tinha essa vantagem de ser o próprio cliente e portanto poder fazer tudo o que me passasse pela cabeça, só tinha o grande limite de orçamento – mas não se pode ter tudo. Decidi experimentar tudo o que me apetecia, aproveitar esta oportunidade difícil de se repetir, fazer deste projecto um laboratório de soluções Arquitectónicas. Explorar de que forma como a marcenaria pode definir espaços, distribuir o programa. E foi isso que se fez. Nada do que foi construído teve alguma implicação/interferência no existente – demorei anos a construir isto, mas de um dia para o outro pode-se retirar (desmontar) tudo sem que haja qualquer vestigio. Até o próprio processo de desmontar vai ser fácil já que é tudo feito por encaixes, sem colas ou parafusos. As divisões são úteis. Em vez de uma parede que divide dois espaços ser de alvenaria ou gesso cartonado, ela é um armário ou uma estante. O espaço divide-se de zona privada e de trabalho. O plano colorido é essa fronteira. Em caso de uma visita por trabalho, fecham-se esses painéis e essa zona fica escondida. Enfim, são vários detalhes que fui experimentado e por o habitar permite-me comprovar a sua pertinência ou até eficiência. Houve uma ideia geral, que foi sendo implementada à medida que o orçamento permitia, mas que tambem me permiti a muito improviso e alteração/adaptação na execução. Outras foram acrescentadas por constatação de necessidade. É um projecto que está a ser feito desde 2015 e acredito que vai continuar enquanto o ocupar. A pesquisa é contínua.
    Formalmente, a planta define uma zona de trabalho que se divide num espaço com uma bancada para cozinhar (que pode ser encerrado com uma cortina) e uma mesa para refeições/reuniões. Um armário com 3 frentes que resolve a arrumação e complemento da cozinha de um lado, noutro uma gaveta para as ferramentas e noutro de apoio à casa de banho e material de limpeza. No eixo entre janelas, a zona de oficina e (depois) acrescentei uma mesa de trabalho e outra para escritório. Isto porque em caso de uso da oficina a poeirada pode ser facilmente ventilada pelas duas janelas. Atravessando o painel colorido, a zona privada, com uma sala e o quarto divididas por uma estante, com uso repartido para ambos os lados. No topo da cama uns painéis que se abrem e permite uma ligação dos dois espaços e circulação de ar. Nas traseiras do mapa Mundo, o armário da roupa.
    O desenho é uma estipulação de proporções geométricas a partir de medidas antropométricas – nada de novo, estudam-se há séculos, dou-lhe simplesmente continuação – As cores, é tanto por não querer seguir o projecto “tudo branco” tão em voga na prática corrente como tambem explorar a gama cromática disponivel no material Valchromat. O OSB, à primeira até tem graça, é incrivelmente barato e sem competição em “valor – preço”, mas de tão usado em intervenções correntes já aborrece… Já se percebeu que vai ser estar directamente ligado a uma época, um dia vai-se deixar de usar e passará a ser um elemento datado.
    Enquanto não mudar de espaço, a obra vai continuar. Por enquanto ainda se acrescentam coisas, mas parece-me haver cada vez menos necessidade. Pode ser que passe para uma fase de alteração de coisas que funcionaram menos bem, que necessitem de uma actualização. Por enquanto ainda não as desvendei, o espaço é bastante confortável, mas pode ser que não sobreviva à contínua vontade de experimentar.



    Local: Lisboa - Portugal

    Data: 2017

    Cliente: Eu

    Fotos: Mercês Tomaz Gomes

    Artigo: Archdaily